A Plataforma CIPÓ acaba de lançar o policy brief “Two-Tier Climate Multilateralism: The Legacy of COP30”, de autoria de Maiara Folly, diretora-executiva e cofundadora da organização. Publicado pela Global Governance Innovation Network (GGIN) e pelo Stimson Center, o estudo analisa os legados institucionais e políticos da COP30 e discute como a governança climática internacional pode avançar da negociação de compromissos para a implementação efetiva da ação climática.
O lançamento acontece às vésperas do Global Policy Dialogue – Do Compromisso à Implementação: o Legado da COP30 e os Caminhos para Fortalecer a Governança Climática Global, realizado em Salvador (BA), nos dias 25 e 26 de maio de 2026, e antecipa debates centrais do encontro sobre financiamento climático, governança global, implementação e reforma do multilateralismo climático.
O policy brief parte do diagnóstico de que a governança climática global enfrenta um desafio persistente: a distância entre os compromissos multilaterais assumidos pelos países e sua implementação concreta em políticas públicas, financiamento e resultados reais. Nesse contexto, o estudo examina como a presidência brasileira da COP30 buscou reposicionar a conferência como uma “COP da implementação”, preservando ao mesmo tempo a legitimidade do processo multilateral baseado no consenso.
A publicação argumenta que a COP30 introduziu uma abordagem de “multilateralismo climático em dois níveis” (two-tier climate multilateralism). De um lado, permanece o eixo formal das negociações da UNFCCC, responsável por garantir legitimidade, universalidade e direção normativa. De outro, ganha força um eixo voltado à implementação, baseado na mobilização de governos, instituições financeiras, sociedade civil, setor privado, especialistas e atores subnacionais capazes de acelerar a execução das metas climáticas.
Entre os principais pontos analisados estão as inovações institucionais promovidas pela presidência brasileira da COP30, como a criação dos Círculos de Mobilização, o fortalecimento da Agenda de Ação, a articulação do Global Ethical Stocktake e a mobilização de ministros da Fazenda e autoridades econômicas para ampliar o financiamento climático. O estudo também discute iniciativas como o Global Implementation Accelerator, o roteiro para a transição para longe dos combustíveis fósseis e os esforços para interromper e reverter o desmatamento até 2030.
Além de avaliar os avanços e limitações da COP30, o policy brief apresenta recomendações para fortalecer uma governança climática mais orientada à implementação, incluindo o aprimoramento dos mecanismos participativos da UNFCCC, maior transparência e continuidade das iniciativas lançadas pelas presidências das COPs e o fortalecimento da coordenação entre processos formais de negociação e mecanismos voluntários de ação climática.
Foto: Aline Massuca/COP30




