Em Nova Iorque, CIPÓ e GWL Voices destacam igualdade de gênero como condição para implementação climática

Evento realizado durante a semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU reuniu Mary Robinson, Susana Malcorra, Maiara Folly e outras lideranças para debater o papel das mulheres no futuro da governança climática global

A Plataforma CIPÓ e a GWL Voices realizaram, nesta quinta-feira (24), em Nova Iorque, o evento “No Implementation without Equality: Women as the Foundation of the Future of Climate Multilateralism”. O encontro discutiu por que a igualdade de gênero e a participação plena das mulheres são condições fundamentais para transformar compromissos climáticos internacionais em resultados concretos.

Promovido durante a Climate Week NYC 2026 e a semana de alto nível da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o evento aconteceu na sede da Bahá’í International Community, próxima à ONU, e reuniu lideranças com atuação em diplomacia, clima, direitos humanos e igualdade de gênero.

Participaram da conversa Mary Robinson, cofundadora do Project Dandelion, primeira mulher a ocupar a Presidência da Irlanda e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos; Susana Malcorra, presidente da GWL Voices; Maiara Folly, diretora-executiva da Plataforma CIPÓ; Catalina Santamaria, Senior Environment Programme Management Officer do Escritório do Secretário-Geral das Nações Unidas; e Dan Perell, representante da Bahá’í International Community. A moderação ficou a cargo de Renata Koch Alvarenga, fundadora da EmpoderaClima.

A discussão teve como pano de fundo o desafio de avançar da negociação para a implementação dos compromissos climáticos globais. Nesse contexto, ganhou destaque a abordagem do “multilateralismo climático em dois níveis”, analisada pela Plataforma CIPÓ na publicação Two-Tier Climate Multilateralism: The Legacy of COP30. A perspectiva combina a importância das negociações multilaterais baseadas em consenso com mecanismos mais flexíveis voltados à implementação, como coalizões, mobilização de financiamento e novos arranjos institucionais.

O encontro ressaltou que, nesse processo, dados desagregados por gênero, financiamento climático responsivo a gênero e a participação plena e igualitária das mulheres precisam fazer parte das estruturas de implementação desde o início, e não serem tratados como elementos periféricos da ação climática.

Um dos destaques foi a apresentação do novo relatório da GWL Voices, “Spotlight on Women in Global Climate and Environmental Leadership”, que analisa três décadas de participação feminina em posições de liderança na governança climática e ambiental internacional. Segundo o levantamento, desde 1992, apenas cerca de um quarto das presidências das COPs de clima foram ocupadas por mulheres. Nas sete principais instituições internacionais dedicadas ao clima e ao meio ambiente analisadas pelo estudo, mulheres estiveram à frente das organizações em aproximadamente 30% do período observado.

O debate também abordou as desigualdades no financiamento climático. Dados da OCDE reunidos para a discussão mostram que, em 2022, apenas 4% da assistência oficial ao desenvolvimento destinada à adaptação climática tinha a igualdade de gênero como objetivo principal. Entre os recursos voltados à mitigação, a proporção era de 2%.

Às vésperas da COP31, o encontro buscou reforçar que a aceleração da implementação climática precisa caminhar junto com maior representatividade nos espaços de decisão, financiamento adequado e políticas capazes de incorporar diferentes experiências e impactos da crise climática – com atenção especial ao fortalecimento de mulheres e jovens lideranças do Sul Global.

Plataforma CIPÓ
Plataforma CIPÓhttp://plataformacipo.org/
A Plataforma CIPÓ é um instituto de pesquisa independente liderado por mulheres e dedicado a questões de clima, governança e paz na América Latina e no Caribe e no resto do Sul Global.

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