Encontro em Nova Iorque reuniu diplomatas e sociedade civil em defesa da transparência, do escrutínio público e da eleição da primeira mulher para o cargo
Durante a semana de Alto Nível da ONU, a campanha 1 for 8 Billion realizou, em parceria com o Governo da Estônia, o evento “Crunch time: upholding transparency, integrity and the General Assembly’s agency in the final phase of the Secretary-General selection process”, que reuniu autoridades governamentais, diplomatas e representantes da sociedade civil para discutir a fase decisiva da escolha de quem vai liderar as Nações Unidas a partir de 2027. A CIPÓ integra o comitê diretor da 1 for 8 Billion, que visa um processo de seleção mais inclusivo, transparente e diverso para a próxima pessoa a ocupar a Secretaria-Geral.
Realizado em 22 de setembro, em Nova Iorque, o encontro contou com a presença de Minna-Liina Lind, vice-ministra de Assuntos Globais da Estônia; do embaixador Martín Vidal, diretor-geral de Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai; de Jane Kinninmont, CEO da Associação das Nações Unidas do Reino Unido (UNA-UK); e de Maria Noel Leoni, diretora de campanha da GQUAL.
Os debates abordaram temas como a proteção da transparência conquistada nos processos de seleção recentes, o risco de candidaturas de última hora que tentem escapar do escrutínio público, a eleição da primeira mulher para o cargo e a salvaguarda da independência de quem assumir a função, conforme prevê o Artigo 100 da Carta da ONU. Também foram apontadas preocupações com as decisões do Conselho de Segurança, a quem cabe recomendar o nome à Assembleia Geral. Nesse sentido, a Estônia, por meio do grupo Accountability, Coherence and Transparency (ACT), tem defendido que o Conselho apresente mais de um candidato, para que a Assembleia possa escolher.
Ao dar as boas-vindas, Kinninmont ressaltou que a escolha terá enorme impacto na capacidade de renovação da ONU e que quem assumir o cargo precisará de amplo apoio da Assembleia Geral para atuar com eficácia. Na fala de abertura, Lind alertou que a ONU está em uma encruzilhada e que todos os envolvidos no processo têm a responsabilidade de salvar o multilateralismo. “Com tantas guerras em curso, é importante selecionar um Secretário-Geral não apenas para o Conselho de Segurança, mas para que as pessoas de todo o mundo sintam que essa é uma pessoa que vai tornar suas vidas melhores”, afirmou. Vidal, por sua vez, apresentou a posição da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), unida em torno do princípio de que o próximo Secretário-Geral deve vir da região. Já Leoni resumiu a defesa de uma mulher no cargo: “há infinitas razões pelas quais isso importa e zero pelas quais não importa”.





