Global Policy Dialogue reúne representantes de 20 países para debater legado da COP30

Evento realizado nos dias 25 e 26 de maio, em Salvador, reúne integrantes da Presidência da COP30, autoridades brasileiras, organismos internacionais e representantes da Austrália, da Turquia e da Etiópia para discutir implementação climática, financiamento e o futuro do multilateralismo

Representantes de mais de 20 países, integrantes da Presidência da COP30, autoridades brasileiras, organismos internacionais, academia e sociedade civil se encontraram nesta segunda-feira (25), em Salvador, no primeiro dia do Global Policy Dialogue 2026, evento internacional que debate os caminhos da governança climática global após a conferência climática realizada em Belém. Promovido pela Plataforma CIPÓ, o “GPD” tem como tema “Do Compromisso à Implementação: o Legado da COP30 e os Caminhos para Fortalecer a Governança Climática Global”. 

As discussões seguem as regras de Chatham House, modelo que permite o uso das informações debatidas sem identificação dos participantes ou vinculação direta das falas às instituições representadas. As declarações atribuídas no texto foram concedidas em entrevistas realizadas durante o evento.

Entre as presenças de destaque do primeiro dia estiveram a deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara; o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago; e representantes dos países que sediarão as próximas conferências climáticas  – Austrália e Turquia, que presidirão a COP31, e a Etiópia, sede da COP32.  O evento também contou com participantes de países da América Latina, da África, da Europa, da Ásia e do Oriente Médio.

A diretora-executiva da Plataforma CIPÓ, Maiara Folly, destacou que o encontro busca aprofundar o debate sobre o legado político e institucional da COP30 e os mecanismos para transformar compromissos em implementação concreta. “Hoje discutimos muito o conceito de multilateralismo de dois níveis. Ou seja, o que precisa ser feito para a Convenção do Clima funcionar, com seu propósito inicial de fazer com que os países cheguem a decisões consensuadas.  Mas também complemento com seu segundo nível, que é o nível da implementação”.

Na avaliação dela, é preciso preservar a COP como “espaço legítimo de criação de consensos e avançar na implementação por meio de coalizões e aceleração da ação climática nos países, estados, municípios e territórios”.

O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, avaliou que a conferência realizada em Belém conseguiu impulsionar o debate internacional sem perder de vista a necessidade de acelerar a ação climática. “Sem o multilateralismo nós não estaríamos nem perto de onde nós estamos hoje. No entanto, nós temos que ir muito mais rápido e mais longe”, afirmou. “Então, eu acho que a COP30 encontrou um equilíbrio bastante bom entre se animar com o que já aconteceu, mas estar consciente de que tem muito para fazer ainda”.

Já a deputada federal e ex-ministra Sonia Guajajara ressaltou a necessidade de ampliar os processos de escuta e participação social nas discussões internacionais sobre clima e transição energética. “A CIPÓ tem democratizado o debate da política externa brasileira e da geopolítica mundial, que não está nada desconectado dos acordos e soluções que precisamos construir para o enfrentamento da mudança climática, para a transição energética justa e para fortalecer as relações comerciais, mas considerando processos de inclusão, como a consulta livre prévia e informada de povos indígenas e tradicionais”, opinou. “Que a gente tenha de fato um mutirão de escuta dessas vozes”.

O vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior, reforçou a importância da agenda climática para o estado, para o Nordeste e para o país. “Tema de extrema importância para a Bahia, para o Nordeste, para o Brasil e para o mundo”, disse. Segundo “Geraldinho”, três temas são prioritários: “meio ambiente nas discussões nacionais e internacionais; implementação do que foi negociado na COP30 e estabelecer uma política pública de desenvolvimento econômico com responsabilidade social e ambiental sem prejudicar o avanço econômico”.

O secretário-executivo do Consórcio Nordeste, Carlos Gabas, destacou a importância do encontro para fortalecer a implementação de políticas de transição ecológica justa, sustentável e inclusiva no Nordeste. Segundo ele, a Caatinga representa um território estratégico para soluções climáticas, bioeconomia e regeneração ambiental, além de ampliar oportunidades de cooperação internacional.

Para a jovem campeã do clima da COP30, Marcele Oliveira, um dos diferenciais do encontro é o seu caráter colaborativo e internacional. “O GPD é um encontro que reúne atores diversos, em diversas escalas também, de atuação, de movimento, sociedade civil, governo e organismos internacionais.” “Acho que aqui a gente está com 20 países representados, mais o Brasil, então o valor desse encontro é impossível de mensurar”.

A subsecretária de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda, Carolina Grottera, destacou o papel do Círculo de Ministros de Finanças da COP30 e apresentou iniciativas voltadas à implementação de políticas climáticas e econômicas de baixo carbono.

“Tive a oportunidade de falar um pouco do nosso papel no círculo de ministros de finanças, que foi um dos quatro círculos estratégicos da COP30, e como isso se traduz em ações concretas que o Ministério da Fazenda vem implementando, como o TFFF, que é o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, a Coalizão Aberta de Mercados de Carbono Regulado, a Harmonização de Taxonomias Nacionais e também as Plataformas País, que hospedam projetos estratégicos para uma economia de baixo carbono”, contou.

Ao longo do dia, os debates abordaram temas como reforma da governança climática internacional, financiamento climático, comércio e clima, transição ecológica justa, adaptação, combate ao desmatamento e os mecanismos institucionais criados a partir da COP30. A programação também incluiu grupos de trabalho voltados à Agenda de Ação da Presidência da COP30 e aos chamados “mapas do caminho” para afastamento dos combustíveis fósseis e combate ao desmatamento.

As discussões continuam nesta terça-feira (26), com foco nas estratégias e nas prioridades para a COP31, a COP32 e o futuro do multilateralismo climático. 

O evento é organizado pela Plataforma CIPÓ, em parceria com o Governo da Bahia, o Consórcio Nordeste, o Instituto Clima e Sociedade (iCS), o Climate Emergency Collaboration Group, a Global Challenges Foundation, a Embaixada da França no Brasil, a Fundação Heinrich Böll e a Global Governance Innovation Network.

Plataforma CIPÓ
Plataforma CIPÓhttp://plataformacipo.org/
A Plataforma CIPÓ é um instituto de pesquisa independente liderado por mulheres e dedicado a questões de clima, governança e paz na América Latina e no Caribe e no resto do Sul Global.

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