A Plataforma CIPÓ acaba de lançar uma versão ampliada do policy brief “O financiamento do clima e a reforma da arquitetura financeira e econômica internacional: Propostas para o Roadmap de Baku a Belém para US$ 1,3 trilhão”, agora com 91 páginas e análises aprofundadas sobre os desafios e caminhos para ampliar o financiamento climático global.
Produzido pelos pesquisadores Ana Garcia, senior fellow da CIPÓ, Pedro Silva e Daniel Lannes, o documento reúne recomendações estratégicas para ampliar o financiamento climático destinado a países em desenvolvimento, contribuindo para viabilizar a meta de US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, defendida pelo Sul Global no âmbito das negociações internacionais sobre clima.
A nova versão expande e aprofunda o debate sobre o Roadmap de Baku a Belém, iniciativa voltada a identificar caminhos para mobilizar recursos em escala compatível com as necessidades da ação climática global. O documento analisa os principais dilemas do sistema atual de financiamento climático, marcado pela insuficiência de recursos, concentração geográfica e setorial dos investimentos e forte dependência de instrumentos geradores de dívida.
Os autores argumentam que enfrentar a emergência climática exige reformas estruturais na arquitetura financeira e econômica internacional, ainda baseada em instituições e regras herdadas do período pós-Segunda Guerra Mundial e pouco responsivas às necessidades dos países mais vulneráveis.
Entre as medidas propostas estão a reforma das políticas de empréstimo do FMI e dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, iniciativas de alívio e reestruturação da dívida, fortalecimento da cooperação tributária internacional, revisão de mecanismos de arbitragem investidor-Estado e a ampliação do uso de fundos soberanos e instrumentos financeiros inovadores para financiar ações de mitigação, adaptação e transição justa.
Ao contribuir para o debate internacional e para os trabalhos em torno do Roadmap de Baku a Belém, o documento reforça a urgência de construir um sistema financeiro internacional mais democrático, transparente e alinhado às prioridades do Sul Global, destacando que recursos globais existem – o desafio é mobilizá-los de forma justa e eficaz para enfrentar a crise climática.




