Relatório analisa interseções entre IA, mudanças climáticas e soberania digital no Sul Global

O relatório estratégico “IA e Mudanças Climáticas: O Sul Global Diante da Nova Geopolítica da Inovação”, produzido pela Green Screen Climate Justice and Digital Rights Coalition, com apoio da Plataforma CIPÓ, já está disponível para download. O texto é de autoria de Lori Regattieri, conselheira na coalizão.

Partindo da constatação de que a inteligência artificial (IA) e a transição energética compõem, hoje, os dois principais vetores da reconfiguração industrial global, o documento argumenta que esses processos não podem ser tratados como trilhas paralelas. Ao contrário, suas infraestruturas, cadeias de valor e regimes normativos já operam em sobreposição, com efeitos profundos sobre soberania econômica, inovação tecnológica e justiça climática.

Nesse sentido, o relatório propõe uma leitura crítica da corrida tecnológica em curso, alertando para os riscos de que a descarbonização seja acompanhada por novas formas de dependência digital, financeirização da natureza e assimetrias computacionais. A análise articula a transformação da matriz energética com a intensificação da extração mineral, o avanço de tecnologias de vigilância em territórios do Sul Global e a concentração de poder computacional por grandes plataformas.

O Brasil e os países do BRICS+ são posicionados como atores-chave na disputa por um novo modelo de desenvolvimento e inovação, não apenas como provedores de matéria-prima para a transição, mas como formuladores de alternativas que aliem soberania digital, autonomia energética, pactos climáticos justos e autodeterminação dos povos.

O relatório aponta, ainda, para a urgência de integrar a governança da IA aos compromissos multilaterais sobre clima e biodiversidade, especialmente no contexto da COP30, que será realizada em Belém.

Sobre a coalizão
A Green Screen Climate Justice and Digital Rights Coalition é uma aliança internacional formada por financiadoras, pesquisadoras e ativistas dedicadas a integrar, de forma estratégica, as agendas de justiça climática, transição digital e soberania informacional.

A coalizão atua diante de uma lacuna institucional e analítica que ainda separa os campos de direitos digitais e justiça ambiental, propondo abordagens integradas que revelem o papel estrutural das infraestruturas tecnológicas nas dinâmicas de poder, risco e distribuição.

Nesse esforço, a Green Screen busca orientar a ação filantrópica e o trabalho dos movimentos sociais para que as implicações geopolíticas da digitalização sejam incorporadas, desde já, nas formulações sobre clima, direitos humanos e modelos de desenvolvimento.

O relatório consolida essa proposta ao afirmar que os caminhos da inovação tecnológica não são neutros, moldam a governança de recursos, produzem novas formas de assimetria e afetam diretamente a equidade na transição energética justa. Para a coalizão, enfrentar tais desafios exige estratégias antecipatórias, capazes de tratar a transformação digital e a emergência climática como dimensões indissociáveis de um mesmo reposicionamento civilizatório.

Imagem: iStock

Plataforma CIPÓ
Plataforma CIPÓhttp://plataformacipo.org/
A Plataforma CIPÓ é um instituto de pesquisa independente liderado por mulheres e dedicado a questões de clima, governança e paz na América Latina e no Caribe e no resto do Sul Global.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, deixe o seu comentário!
Por favor, insira aqui o seu nome

Artigos Relacionados

spot_imgspot_img

Sigam-nos nas Redes Sociais

linkedin CIPÓ
Facebook CIPÓ
Instagram CIPÓ
Youtube CIPÓ

Últimos Posts