Uma pesquisa global realizada em 101 países revela que a proposta de criação de um parlamento mundial eleito por cidadãos conta hoje com mais apoio do que rejeição na maior parte do mundo. Segundo o relatório Global Public Opinion on a World Parliament, divulgado pela organização Democracy Without Borders, 40% dos entrevistados afirmam apoiar a iniciativa, enquanto 27% se dizem contrários. Outros 33% ainda não têm opinião formada.
O levantamento, conduzido pela Nira Data, ouviu mais de 117 mil pessoas em países que representam cerca de 90% da população mundial, sendo o maior estudo já realizado sobre o tema. A pesquisa surge em um contexto de múltiplas crises globais – como mudanças climáticas, conflitos armados e o enfraquecimento da cooperação internacional – que têm reacendido o debate sobre a necessidade de reformar a governança global.
Os resultados indicam que o apoio ao parlamento mundial é mais forte entre grupos historicamente marginalizados dos centros de poder. Jovens, pessoas de baixa renda, minorias étnicas e moradores de grandes cidades tendem a apoiar mais a proposta do que populações mais velhas, de renda elevada ou residentes em áreas rurais.
O relatório também destaca um padrão regional claro: o apoio é significativamente maior no Sul Global. A África Subsaariana apresenta os níveis mais elevados de apoio líquido, sem nenhum país da região registrando maioria contrária à proposta. Na América Latina e no Caribe, o apoio cresce ainda mais quando se excluem Estados Unidos e Canadá da média regional.
Para Maiara Folly, diretora-executiva da Plataforma CIPÓ, os dados evidenciam uma demanda crescente por mais democracia na ordem internacional:
“Os dados dessa pesquisa global mostram que cidadãos do Sul Global estão na linha de frente dos apelos por um parlamento mundial democrático. Essa proposta está alinhada à visão da Plataforma CIPÓ sobre a necessidade de uma governança global mais transparente, participativa e orientada a resultados – na qual cidadãos e aqueles que os representam, incluindo parlamentares, tenham um papel mais forte, especialmente no fortalecimento da fiscalização e na implementação de compromissos internacionais.”
Segundo os autores do estudo, a elevada proporção de respostas neutras reflete o baixo conhecimento público sobre a proposta, indicando espaço para maior debate e engajamento. Em um cenário de questionamento do multilateralismo, o relatório aponta para a existência de uma base global aberta a discutir novas formas de representação democrática além do Estado-nação.





