Estudo revela que maioria dos brasileiros apoia justiça fiscal e direitos trabalhistas além da polarização 

A pesquisa Percepções sobre a Economia Brasileira, realizada pela Ipsos para o Global Fund for a New Economy (GFNE), com participação da Plataforma CIPÓ e do Transforma em sua construção e análise, revela que a sociedade brasileira compartilha consensos profundos sobre o rumo do desenvolvimento socioeconômico do país — posicionamentos que ultrapassam as tradicionais barreiras da polarização política e eleitoral. Conduzido online entre junho e julho de 2026 com 2.000 entrevistados das classes A, B e C, o levantamento investigou visões sobre a atuação do Estado, mercado de trabalho, endividamento, tributação e política externa, evidenciando expressiva convergência por um modelo econômico mais justo e com forte proteção social.

Mesmo com divergências políticas, a população rejeita massivamente a tese do Estado mínimo e da desregulamentação irrestrita. Os dados da pesquisa mostram que cerca de 47% dos entrevistados defendem um governo forte na indução do crescimento sustentável de longo prazo, posicionamento compartilhado por apoiadores (50%) e críticos (46%) da atual gestão federal. Além disso, 59% apoiam o controle estatal de empresas estratégicas e 66% cobram intervenção pública na precificação dos combustíveis praticada pela Petrobras. A convergência é ainda maior no âmbito trabalhista e financeiro: 73% apoiam o fim da escala 6×1 (com jornada de 40 horas sem redução salarial), 69% valorizam as novas regras do Imposto de Renda e 65% atribuem o endividamento das famílias às elevadas taxas de juros, enxergando no Executivo a responsabilidade de intervir no custo do crédito.

O estudo testou também a atratividade de diferentes narrativas políticas, demonstrando que a agenda da chamada “Nova Economia”,  centrada na contenção de aumentos abusivos de preços, na tributação dos super-ricos e no reconhecimento do trabalho de cuidado — alcançou 59% de aprovação contra 27% da plataforma liberal de direita. O resultado superou inclusive o desempenho da pauta de esquerda tradicional (46%), revelando forte apelo junto aos indecisos e ao eleitorado de oposição. Como destaca a diretora-executiva da Plataforma CIPÓ, Maiara Folly, os dados comprovam que há respaldo social para erguer uma nova economia orientada pelas reais prioridades da população: saúde, bem-estar, alívio de dívidas e previsibilidade financeira.

Na visão de especialistas responsáveis pela pesquisa, o  documento atesta que os brasileiros percebem as disfunções do modelo econômico atual e exigem governos atuantes na defesa do padrão de vida das famílias e da soberania nacional. 

Plataforma CIPÓ
Plataforma CIPÓhttp://plataformacipo.org/
A Plataforma CIPÓ é um instituto de pesquisa independente liderado por mulheres e dedicado a questões de clima, governança e paz na América Latina e no Caribe e no resto do Sul Global.

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