A pesquisa Percepções sobre a Economia Brasileira, realizada pela Ipsos para o Global Fund for a New Economy (GFNE), com participação da Plataforma CIPÓ e do Transforma em sua construção e análise, ganhou destaque na coluna de Míriam Leitão, em O Globo. A reportagem, assinada por Luciana Casemiro, mostra que, apesar da polarização política, há importantes pontos de convergência entre os brasileiros quando o assunto é economia.
Entre os principais resultados, 58% dos entrevistados afirmam que o sistema econômico brasileiro beneficia principalmente os ricos e poderosos. A pesquisa também registra apoio expressivo a uma atuação mais forte do Estado: 59% defendem a manutenção do controle estatal sobre empresas estratégicas e 66% apoiam a atuação do governo sobre os preços dos combustíveis. Outros 47% concordam com a ideia de um governo forte, que invista no desenvolvimento de longo prazo e oriente o crescimento econômico.
Na coluna, Pedro Rossi, economista-chefe do GFNE, afirma que os resultados revelam “uma insatisfação com a forma como a economia funciona” e uma defesa de um Estado mais intervencionista, capaz de atuar no desenvolvimento, no controle de preços e na proteção dos cidadãos.
O levantamento também mostra apoio amplo ao fim da escala 6×1, com jornada de 40 horas semanais e sem redução salarial: 73% dos entrevistados são favoráveis à proposta, percentual que permanece em 60% mesmo entre aqueles que se opõem ao governo. Já a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil é considerada importante ou muito importante por 69% da amostra.
Outro destaque é a preferência por propostas associadas à chamada “nova economia”. A plataforma que reúne medidas contra aumentos excessivos de preços em setores essenciais, tributação de indivíduos extremamente ricos e reconhecimento do trabalho de cuidado alcançou 59% de preferência, ante 27% da plataforma classificada como de direita.
Para Rossi, os dados indicam que “a convergência em relação à economia escapa da polarização política”, ainda que existam diferenças mais marcadas quando as propostas são diretamente associadas a campos políticos específicos.




