Em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, restrições orçamentárias e crescente ceticismo em relação ao multilateralismo, um novo relatório da Global Governance Innovation Network (GGIN) destaca que o maior desafio da governança global já não é a falta de consensos, mas a capacidade de transformar compromissos políticos em resultados concretos.
O documento, resultado do Pact Innovation Forum Pocantico Retreat: Planning for 2026, realizado em novembro de 2025 no Pocantico Center, em Nova Iorque, avalia os avanços e obstáculos na implementação do Pacto para o Futuro, da Declaração sobre as Gerações Futuras e do Pacto Digital Global, aprovados durante a Cúpula do Futuro da ONU em 2024.
De acordo com o relatório, apesar de os Estados-membros terem conseguido aprovar uma agenda ambiciosa e consensual, o período pós-Cúpula tem sido marcado por dificuldades práticas: capacidade institucional limitada, sobreposição de processos de reforma – como a iniciativa UN80 – e uma narrativa pública que frequentemente omite avanços já em curso.
Nesse contexto, o texto reforça o papel estratégico da sociedade civil em apoiar os governos, especialmente missões com equipes reduzidas, na tradução dos compromissos globais em estratégias de implementação e monitoramento.
O Pact Innovation Forum, coordenado pela GGIN em parceria com universidades, fundações e centros de pesquisa, surge como uma plataforma multissetorial para responder a esse desafio. O relatório destaca duas iniciativas centrais ligadas ao Fórum: o Pact Innovation Plan, voltado à sistematização de experiências e à proposição de opções criativas para viabilizar a implementação do Pacto; e o Pact Monitoring Toolkit, um conjunto de ferramentas que busca integrar indicadores já existentes e tornar mais visível o progresso – ou a falta dele – em diferentes áreas, como paz e segurança, financiamento para o desenvolvimento, direitos humanos e reformas institucionais.
Membro fundador da Global Governance Innovation Network, a Plataforma CIPÓ atuou em diferentes momentos deste processo, engajando nos esforços de construção do Fórum, na moderação de consultas e no fortalecimento da cooperação entre atores do Sul Global e do sistema multilateral.
O relatório do Pocantico Retreat enfatiza ainda que monitorar o Pacto para o Futuro exige abordagens flexíveis e sensíveis ao contexto político. Nem todas as ações podem ser medidas apenas por indicadores quantitativos, e avanços relevantes podem se manifestar em mudanças graduais de posição, abertura ao diálogo ou evolução de negociações multilaterais, especialmente em temas sensíveis, como a reforma do Conselho de Segurança ou da arquitetura financeira internacional.
Ao final, o relatório deixa um recado claro: manter o Pacto para o Futuro como um “documento vivo” exigirá coordenação, inovação e pressão política contínua. Mais do que criar novos acordos, o momento exige garantir que as promessas já assumidas se traduzam em mudanças reais na vida das pessoas e na capacidade do sistema internacional de responder a crises presentes e futuras.
A CIPÓ seguirá colaborando ativamente com a rede nos próximos anos, contribuindo para o processo de implementação do Pacto para o Futuro – compromisso firmado pelos Estados-membros da ONU para avançar soluções diante dos principais desafios globais, como a promoção da paz e da segurança, a proteção dos direitos humanos, o financiamento para o desenvolvimento sustentável e a governança digital.




