A diretora-executiva da Plataforma CIPÓ, Maiara Folly, destacou em entrevista ao Valor Econômico os desafios para viabilizar os trilhões de dólares necessários à agenda climática global, no contexto da COP30, que será realizada em novembro de 2025 em Belém, no Pará.
Na entrevista, Folly observou que o endividamento é um dos principais entraves ao financiamento climático. Segundo ela, a decisão em Baku frustrou expectativas ao fixar apenas US$ 300 bilhões até 2035. Além disso, repetiu falhas da meta anterior, quando 70% dos US$ 100 bilhões prometidos vieram como empréstimos.
Para atender só o Sul Global, diz a diretora, seriam necessários US$ 6 trilhões até 2030 — o que exige reformular regras de financiamento e priorizar setores vulneráveis, sobretudo com foco na adaptação. “Não priorizar a adaptação nos fluxos de investimento é uma forma de negacionismo climático”, afirmou.
De acordo com a reportagem, a conferência na Amazônia busca mobilizar recursos em larga escala para financiar a transição energética, a redução de emissões e medidas que garantam maior resiliência às populações mais vulneráveis. O texto destaca que a adaptação ainda recebe uma parcela menor do financiamento climático internacional, apesar da crescente urgência de enfrentar eventos extremos, como secas, enchentes e incêndios florestais.
A matéria reúne análises de representantes de governos, organismos multilaterais e instituições financeiras sobre os desafios de criar mecanismos eficazes para ampliar os investimentos. Entre os pontos discutidos estão a necessidade de maior participação do setor privado, a criação de instrumentos inovadores de financiamento e a importância de incluir países em desenvolvimento no centro das decisões.
Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo